É Preciso Seguir Em Frente

“Viver é o maior desafio que o Universo impõe aos seres que nele habitam e que por eles foram criados. Mas temos que conseguir. Não existe outra saída.”

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Existem momentos na vida em que tudo parece ruir. Essas pequenas tragédias diárias que desestabilizam até os mais pacíficos dos homens. Esses dias ruins sempre modificaram um pouco a minha percepção sobre as coisas… Eu tenho perdido muitas pessoas importantes. Não sei se aos trinta isso já começa a ser normal, mas não conheço ninguém que tenha perdido mais pessoas especiais do que eu (5 no total). As vezes eu nem sei como consegui suportar todas essas rupturas. Acho que os dias simplesmente passaram e eu fui me acostumando… Cada um que perdi doeu de uma forma que não sei explicar. Talvez porque, sempre que eu vivi cada uma dessas me sentindo a pessoa mais completa e humanamente sozinha que imaginei. Talvez eu realmente esteja sozinho quando enfrento essas perdas dolorosas. Não veio um abraço fraterno, uma mão no ombro, um carinho realmente palpável (não que eu espere, claro. Desde que perdi Vovó e estava absolutamente sozinho me dei conta de que não podia esperar muito dos outros. Afinal eu tinha perdido ali, minha primeira pessoa essencial no meu mundo). Cada vez que eu perdi algo ou alguém importante e simplesmente desmoronei eu não imaginava olha pro lado e esperar que alguma ajuda viesse de onde quer que fosse.. Mas eu sou muito forte, vou descobrindo enquanto trilho o caminho que desejo. Incrível como nesses momentos de perdas eu me olho no espelho e penso: Cara, como você pode suportar tudo isso? Automaticamente eu tenho a resposta: As maiores rupturas ainda estão por vir, por ainda ainda aparentemente é fácil. E eu só não estarei completamente sozinho porque terei aprendido a acreditar no poder do Universo. Talvez, se você leu até aqui pode achar esse post triste. Ele é. Ser e estar sozinho é bom, mas existe momento pro silêncio e pro barulho. Pra solidão e pra companhia. No entanto este relato também é de força. É pra você e pra mim. Pra que você que leu, saiba que é possível enfrentar esses desastres diários, pra mim serve também como um lembrete de como eu posso ser forte, mesmo sendo fraco. Essas momentos ruins, que te modificam, te moldam, te rouba… também te enobrece, se você souber tirar a lição. Eu sei que existe ainda um mundo de lacunas que meu coração vai ter que superar e eu espero que você também consiga. Sozinho ou não. Eu sinceramente espero que você consiga, porque a vida pode ser tudo, menos fácil. Viver é o maior desafio que o Universo impõe aos seres que nele habitam e que por eles foram criados. Mas temos que conseguir. Não existe outra saída.

Não Vale A Pela Idealizar Um Amor Que Não Vem

“Muitas vezes não sabemos que, perseverar em algo que por só, já não existe, é a melhor forma de você dizer pra si o quanto a dor pode ser maior que a sua força.”

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O Universo sempre me mostrou, por a + b, que o caminho que eu havia escolhido para trilhar minha vida era demasiadamente o mais perigoso, difícil e incerto que alguém pode desejar pra si mesmo. Movido por uma infinidade de cresças e dores que eu acumulei durante a minha existência. Eu sempre tive uma voz interior que gritava para eu fizesse sempre com que tudo fosse melhor. Eu projetei toda a minha vida aos 14 e ainda lembro do menino de sonhos maiores que seus medos. Nada do que eu desejei se efetivou, mas as frustrações me fez enxergar algo concreto e aprendi com isso. Eu sempre vivi um paradoxo: Eu vivo amor de todas as formas, tenho parte de uma família que me ama do jeito que eu fui destinado a ser, sou saudável e vivi uma infância feliz e próspera, mas a ideia do príncipe encantado sempre me iludiu. Eu tinha e tenho tudo pra dar certo, mas o amor (aquele com o qual sonhei até hoje) foi a minha ruína. Eu não falo do amor que todos desejam e vivem, mas do amor ilusório, pretensioso, idealizado…

Eu passei todos os dias da minha vida, a partir dos 16 anos sonhado com o príncipe encantado. Eu responsabilizava alguém por tudo que seria realizado nos meus dias. Então criou-se uma cascata desastrosa de sonhos frustrados. A cada dia, eu ‘tinha certeza’ que estava mais próximo do meu grande encontro, mas o Universo gritava na porta das minhas certezas ilusórias, ele berrava a plenos pulmões que não era um caminho seguro. Que eu estava cavando um buraco tão imenso sob os pés que seria praticamente impossível sair, depois de um tempo. Mas a ideia romântica de ser arrebatado pelo amor, de ser consumido por um sentimento que ‘curaria’ todas as minhas dificuldades e me apresentaria um mundo que eu jamais havia habitado, mas que brilharia aos meus olhos no momento que o visse pela primeira vez. Então eu alimentei esse mostro que sugou todas as minhas reservadas de lucidez até pouco tempo atrás.

Aos poucos eu fui perdendo a minha identidade, a minha segurança, uma vez que o alimento do meu futuro se resumia ao amor romântico e nada além era interessante. Aos poucos um medo absurdo me corroía e eu nem sabia. O medo do passar do tempo. Cada ano. Cada número repetido no calendário que só mudava a folha…

Aos 18 eu tinha uma pressa inquietante. Eu me julgava merecedor em punição. Eu briguei com o mundo. Eu rasguei memórias, eu me desfiz… Eu desacreditei. Mas no fundo, bem lá no fundo, o monstro das ilusões me puxava de volta ao limbo e eu me permitia acreditar novamente e tentar novamente. Afinal havia alguém me esperando (o que não parecia tão verdade assim). Foram muitas tentativas e muitas desilusões…

Eu projetei um ser que habitava apenas a minha mente e me quebrei  todas as vezes. Mas nada me faria parar, eu pensava… Quando eu percebi estava totalmente imerso. Todas as vezes, mais uma vez, na ‘certeza’ que dizia que: Quanto maior a dificuldade melhor a recompensa! Muitas vezes não sabemos que, perseverar em algo que por só, já não existe, é a melhor forma de você dizer pra si o quanto a dor pode ser maior que a sua força.

Aos 24 eu já não aguentava mais tanta espera. Eu já me culpava… E me guardava. Eu queria encontra-lo o menos ‘quebrado’ possível. Eu queria entregar um prêmio: O meu coração. Hoje, aos 30, eu não faço ideia de quando essa minha desenfreada vontade de que alguém seria uma cura, ninguém é, se alastrou. Eu fui e sou amado por todos ao redor e me senti renovado quando percebi que esse amor poderia bastar. O amor não é uma espera, é uma realização. Quando eu percebi o quanto essa angustiante caminhada havia tomado de mim, o quanto desejar alguém feria a mim mesmo, me condicionava a ser maior do que sou, quando eu não sou quase nada, então entendi que nós podemos ser a nossa própria ruína. Então eu me desfiz de tudo isso, ainda estou me desfazendo.

Foram anos acreditando em certezas que eram irrepreensíveis e que hoje é apenas um vislumbre do que eu fui um dia. Mas dizem que o importante é a caminhada, o caminho, a jornada… Eu digo que talvez eu tenha visto um caminho mais real e logo tratei de construir uma ponte pra chegar até ele. Um caminho real, cheio de incertezas. Um caminho que precisa de muitos cuidados, mas um caminho apenas meu. Sem esperas torturantes, sem incertezas ilusórias sobre o amor. Um caminho igual ao de todos. Um caminho imperfeito e comum. O mesmo que percorro neste exato momento enquanto transcrevo os meus pensamentos pra tela do meu telefone. Um caminho que eu posso olhar pela janela do carro e sentir o quanto ele pode ser mais bonito visto com os olhos de um coração que antes de mais nada, deseja um encontro consigo mesmo da forma mais bonita.

Enquanto eu sinto o cheiro de vegetação viva e aprecio, com orgulho, as amarras desprendendo-se dos meus pés e desejando que elas nunca mais me impeçam de viver sem o mínimo de sanidade, sorrio e me deixo apreciar. Porque o amor, ele nunca, jamais, crescerá sob terrenos que não sejam fecundos de certezas. O amor nunca prospera na ilusão. Não duvide disso, eu repito a mim mesmo.

Eu Não Espero Mais O “Amor da Minha Vida”

“Mas e o meu coração?
Ah, ele sempre vai estar aberto para o amor. Ele só sabe amar… apenas deixou de esperar, ele lançou a sorte ao Universo, mas não espera muito. Ele aprendeu que ser sozinho também faz um bem danado.”

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Enquanto uma das minhas músicas prediletas enchem meus ouvidos de uma sonoridade familiar e prazerosa eu tento organizar as minhas ideias para produzir um fragmento que traduza exatamente os sentimentos que venho degustando nessas últimas semanas. São exatamente 3:33 da manhã e meu cérebro já mostra sinais de exaustão. Tenho trocado facilmente a noite pelo dia e essa faz parte do rol de mudanças que me acompanham inexplicavelmente desde que o ano começou. Então resolvi fazer um café forte, tomar um banho e enquanto isso pensava: Porque não compartilhar essas sensações novas e tão incomuns quanto os últimas dias?
(…)
O café ficou ótimo e o banho trouxe um frescor inovador a minha madrugada. Então acho que já posso me fazer entender.
(…)
Eu não sei se ainda acredito no amor.
Sim, essa foi a primeira frase que invadiu minha mente antes de pensar sobre o que iria escrever. EU ANDO DESACREDITADO DO AMOR. É um cansaço sem precedentes e muito perturbador. Eu mal consigo entender os motivos para tal prosódia, mas ela é real em mim. E parece ter se instalado sem previsão de sair. É claro que eu ainda continuo desejando que meus amigos sejam felizes e encontrem suas almas gêmeas. É claro que os filmes românticos ainda me fazem chorar feito criança e coisas fofas sobre casais felizes ainda me arrancam sorrisos de satisfações, eu sou romântico incurável. Ainda leio romances do Nicholas Sparks e escrevo poemas. Eu não me permito deixar de falar sobre o amor. Afinal, amar é das coisas que eu faço melhor desde que me descobri gente.
O fato é que eu, pela primeira vez na vida não acredito que exista alguém correndo na minha direção, o mais rápido que pode, como foi durante quase toda minha vida.
Eu tenho, a cada dia, me distanciado dos meus sonhos românticos adolescentes. Eu tenho transformado as essências mais importantes de quem eu sou… É como se (quase que literalmente) um casulo se rompesse e um outro eu começa a tomar forma, cor, sentido… Apenas abro os braços pra essa mudança, já que não posso fazer muito coisa pra voltar atrás. Mas, o mais impactante disso tudo, é que eu sempre imaginei que mais cedo, mais tarde  o amor bateria na minha porta e eu simplesmente abriria. Não, eu definitivamente não acredito que isso possa acontecer… faz um tempo. E inacreditavelmente isso não me incomoda, não me assusta. Anos atrás eu simplesmente surtaria com a ideia. Afinal, eu passei metade da minha vida esperando “a pessoa certa”, porém, de tanto esperar, eu acho que meu coração cansou.
Em contramão a essa nova realidade eu percebi que quanto mais me distanciei da ideia do “meu amor verdadeiro”, mas me conectei ao meu verdadeiro eu. Naturalmente eu tinha apenas a mim mesmo enquanto sonhava com o encontro que partiria a minha vida ao meio e eu deixaria de me sentir triste quando olhasse pro lado e houvesse uma mão segurando a minha. Me sentir sozinho me fortaleceu. No final eu pensava: Não, não há do que reclamar. Você não está sozinho. Você tem a si. E isso deve bastar, sim?!
Na medida em que eu fui me dando conta de que os anos passavam e esse amor não me alcançava eu fui me sentindo mais exausto e certo de que não poderia mais alimentar mais a existência de alguém sem forma, alguém irreal… Não, eu nunca deixei de viver a realidade. Eu sou até bem realista. Acho que exatamente por isso me mantive alimentado pela ‘certeza’ de que dentre tantas pessoas no mundo, uma roubaria meu coração e me entregaria o seu pra juntos caminhar pela vida e as coisas passariam a ser mais leves, menos solitária.
Hoje eu percebo que não foi perda de tempo ou que a espera tenha sido em vão. Eu descobri ao longo do caminho que eu sempre cuidei de mim mesmo e todo o percurso fez sentido. O fato é que, mesmo me frustrando a cada tentativa, eu me sentia mais forte, renovado.
As 4:16, enquanto eu olho o telado e tento imaginar como estar o céu la fora, sinto minha mente mais limpa e tranquila, penso que eu, apesar de acreditar que o amor é o sentimento mais poderoso e real do Universo, entendo o quanto eu o desejei desesperadamente, no entanto hoje, ele está se tornando uma lembrança distante. Como uma fotografia antiga que eu resolvi retirar da parede e colocar por entre as páginas de livro antigo.
Eu estou vivendo apenas pra mim mesmo e essa é uma das melhores sensações e a mais libertadora que senti nos últimos 20 anos.
Mas você pode perguntar e o seu coração?
Ah, ele sempre vai estar aberto para o amor. Ele só sabe amar… apenas deixou de esperar, ele lançou a sorte ao Universo, mas não espera muito. Ele aprendeu que ser sozinho também faz um bem danado.
Por enquanto eu quero apenas aproveitar mais de mim, me amar um pouco mais e aprender que nem tudo depende de mim. Nem tudo. E ser feliz com/por isso.

Segunda Carta Ao Leitor

” Aceitar as mudanças que o Universo nos impõe sem questionar, sempre que essas mudanças não dependam apenas de nós mesmos, mas que são necessárias para a nossa vida.”

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Caro leitor, espero que esteja tudo bem do outro lado.

Já faz um tempo que não lhe escrevo, não é mesmo. Tantas coisas aconteceram nesses últimos meses por aqui que não sei por onde começar… Vou tentar resumir.

(…)

Existem momentos da nossa vida que devem ser guardados em nossos corações como uma forma de nos lembrar o quanto aprender a viver é importante. Aceitar as mudanças que o Universo nos impõe sem questionar, sempre que essas mudanças não dependam apenas de nós mesmos, mas que são necessárias para a nossa vida.

Em Dezembro do ano passado o meu relacionamento de 10 meses chegou ao fim. Depois de uma coleção de momento vividos decidimos, de maneira pacífica, que talvez, naquele momento, não deveríamos terminar. Eu o conheci quatro anos atrás, mas existiram muitos obstáculos que não nos permitiram ficar juntos. Ele sempre foi muito querido comigo, mas somente quando esteve próximo a mim em 2015 no momento em pedir alguém muito importante e ele esteve do meu lado foi que eu senti que aos poucos estávamos nos encaixando. Mas relacionamento é algo muito maior do que imaginamos, ele está além de apenas querer fazer dar certo. Términos de relacionamentos sempre me deixam muito pensativo e melancólico. Eles sempre representam uma ruptura de uma pequena vida que criamos com a outra pessoa. Expressa um fracasso de algo que poderia ser evitado, mas nos ensina profundamente sobre quem somos e como o mundo nos vê. Não houve sofrimento no término. Houve apenas o momento de reconfigurar a relação. Então, tudo bem terminar um relacionamento e se manter inteiro, confortável. 

(…)

Passei o fim de ano com um casal de amigos na praia (pela primeira vez) e posso dizer que me senti renovado, limpo e feliz. Foi uma experiência agradável e muito proveitosa. Foram dois dias muito intensos e de experiências muito positivas. Estar em contato com a natureza, ao lado de pessoas que amamos é uma boa dose de remédio para os males do coração. Eu não lembro de algum momento próximo em que tenha me sentido mais pleno nos últimos anos como neste revéllion. Além de muitas fotos tenho uma imensa bagagem afetiva aconchegada no meu coração eu tive muitos sorrisos arrancados por aquele lugar. Quase não voltava mais pra casa. Mas o cotidiano também nos preenche de alegrias. No entanto, ali, eu esqueci toda dificuldade que havia sido 2016 e me deixei guiar elas mesmas ondas que banharam os meus pés na manhã do 1 dia de 2017. Foi lindo e verdadeiro e isso me preencheu de muita esperança e satisfações inimagináveis.

(…)

No final de fevereiro mudamos de lar. Neste momento estou na cozinha da minha casa nova (um lar de muito amor que divido com minha melhor amiga), tomando leite com bolachas, tentado organizar minha agenda que anda bem corrida, mas senti falta de te escrever e vim aqui rapidinho… Estamos muito satisfeitos com a nossa “casa de boneca” (como chamamos) . Tudo está milimetricamente arrumado, estamos pensando em adotar um gatinho e vê-lo perambulando pela casa, soltando pelos por toda a parte e nos enchendo de muita atenção e carinho. É incrível como uma novo ar, uma nova casa, um novo quarto nos enche de renovação e fôlego novo para lidar com as rotinas necessárias.

(…)

E por fim, estou estudando… Me matriculei em dois cursos e estou tentando concilia-los da melhor maneira que posso. Tenho sempre muitas coisas pra fazer e estudar… Isso é muito bom. Portanto peço desculpas, desde já, pela falta de tempo. Me inscrevi no início do anos em logo em Março iniciei. Não quis escolho por um só e então estou tentando me estabelecer em ambos. Estou cursando Psicologia, um sonho antigo e que agora estou caminhando para realiza-lo (eu sempre tive verdadeiro fascínio pela profissão do psicólogo e espero poder concluir o curso). Uma das coisas mais prazerosas desta vida é poder realizar sonhos. Por isso eu lhe peço que nunca os deixe tão distante de ti e que eles (seus sonhos) estejam sempre dentro de suas capacidades para poder realiza-los. O outro curso é Letras (sempre fui apaixonado pelas palavras e o poder delas na minha vida). Quem sabe um dia eu escreva um livro. (risos)

No entanto existe sempre um lado de superação em todo momento de felicidade e realização. Concluir projetos é, muitas vezes abrir mão de algo que precisamos para alcança-los. E a parte ruim disso tudo é estar longe da minha família. É não poder ver meus sobrinhos crescendo e não abraçar minha mãe todas as manhãs durante o café. É não ouvir a risada deles pela casa, não acordar o barulho de casa de mãe. Aquele cheiro de café fresco e pão quentinho. Mas os meus sonhos também são deles e é por eles que eu estou realizando todas as minhas rotinas cansativas e difíceis longe de casa.

(…)

Tenho lido bons livros, estudado muito, recebido meus amigos em casa, escrevendo pouco e sorrindo mais. Ainda tenho arranjado tempo para ver meus seriados e filmes prediletos e estou me arriscando mais na cozinha (tem sido bem divertido). Ainda existem muitas outras coisas no entorno de tudo que eu lhe descrevi, mas é claro que isso fica pra uma outra conversa. 

E você, como está?

Aguardo sua resposta!

Com carinho, Diego Donato.

P.s. Abraços de Longe!

Pra Ser Metade É Preciso Ser Inteiro

“Ser metade é pior que ser inteiro e não poder dividir.”

 

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Por que existe um abismo entre o amor e o desejo que projetamos sobre o amor? Não dizem que devemos construir o amor sem enganos, então por que ainda não aprendemos?

Quando nos despimos da visão fragmentada que temos do amor, aquela visão de alguém perfeito, que está sempre pronto, que não falha… Quando admitimos que amar vai além de viver e contemplar as partes boas de alguém e que o outro precisa ser quem ele é, para ser amado verdadeiramente, não só apreendemos uma versão de um amor mais real, como também amamos de maneira mais livre e completa. O amor sempre reclamou terreno livre e espaço para florescer tranquilo, entretanto nós sempre complicamos o óbvio. Amar é algo tão simples quanto respirar, então precisamos entender e aceitar isso.

O amor sempre se firma melhor quando ambos enxergam com o coração. E aprendem a lidar com as partes ruins do outro, pra saber receber o todo, sem fantasiar apenas o lado bom da moeda. Quando estamos dispostos a sermos melhor, a crescer junto, a superar junto, tudo se acerta. Aprender a ler o outro é algo que requer muito mais que boa vontade. É preciso tempo, liberdade, força e paciência. Se eu, em algum momento, tivesse compreendido o amor desta maneira, talvez houvesse amado sem tanta dificuldade, ou simplesmente teria entendido que não há dificuldade em amar e que tudo que vivi foi uma falsa ideia sobre os sentimentos que considerei ter sentido. Eu teria economizado todos os meus “Eu Te Amo”. Evitaria os efeitos colaterais do apego excessivo que confundi com amor e teria evitado tantas feridas. O amor nada tem a ver com prisão, mas com superação, aceitação. Amor é remissão, acolhimento, paz (mesmo nas dificuldades).

Amar é fazer dar certo.

Tudo que se tenta fecundar sob outros aspectos, que não lhe permita ser livre, é costume, dependência…

Quanto mais entendo sobre o amor, menos me culpo pelas dores que passei e com o tempo me sinto mais livre. Eu tenho me perdoado por ter sofrido, perdoei aqueles que me causaram dor e me sinto leve, pronto para viver o amor real. Eu tenho me sentido cada vez mais inteiro. Quanto mais entendo que não sou metade, que não estou incompleto e que o outro não é metade pra mim, me sinto mais vivo. Eu entendi que não posso carregar o peso de ser metade de ninguém. Não posso ser apenas metade pra mim e entregar a outra  pro outro, porque eu quero me amar muito também, inteiramente. Tenho que ser inteireza, completude real e não apenas fragmento. Eu quero entregar tudo que sou.

Desde que me aceitei como alguém completo  tenho dito como um mantra “Eu fiz tudo que podia”, e ainda que fraqueje e penso que fiz algo errado acabo tendo a certeza de que eu não posso me culpar por alguém não ter me enxergado como eu realmente era. E tenho dormido melhor, me alimentado melhor, vivido melhor… Eu me despi de culpas quando penso: “Eu estava lá, não estava? Eu permaneci, eu conheci o outro, eu suportei os pesos, eu estava disposto…” Mas eu me perdia no percurso e sempre me encontrava depois do fim, pra me perder novamente. Esses ciclos só cessaram quando aprendi a me enxergar. Eu não me sentia inteiro. Até me encontrar. Eu me fragmentava para receber o mundo do outro como se fosse meu. Eu abraçava o universo alheio sem questionar sobre o que estava fazendo. Ser metade estabelece uma relação de posse sobre alguém que nasceu pra ser livre.

Ser metade é pior que ser inteiro e não poder dividir.

Então não há do que se culpar. Você, assim como todos, está aprendendo, vivendo… Relacionamentos de metades que merecem um fim, deve ter um fim dentro de você também. Porque aí você entende o valor de ser único. Talvez algumas pessoas aprendam melhor na prática. E é claro que dói, dói muito… Mas tudo passa, não é mesmo? O fim é o cessar de memórias futuras. O fim só deixa o que passou, inviabilizando o futuro de memórias que podem roubar sua paz. Você encerra o ciclo e cura-se quando vai livrando-se dos pesos. O fim dos relacionamentos faz você repensar sobre a sua maneira de ver o amor e possibilita aprender a amar novamente. Primeiro a si mesmo e depois ao outro.

Eu lhe garanto que ser inteiro é incrível. É um sorriso constante   dizendo-lhe  que você está no caminho certo e não vai aceitar ninguém pela metade. Lembre-se que você é inteireza. Você precisa ser completo pra poder partilhar quem você é e receber o outro como ele é. Você precisa ser completo porque, caso tudo desmorone, você terá forças para recomeçar e não se perder em vão.

Descubra o amor e viva-o. Não fragmente sem amor, muito menos o seu coração.

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Mais Perto de Você

“Queria estar ocupado vivendo todas as infinitas memórias ao seu lado.”

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Hoje eu desejei que você saísse de mim. Que me deixasse, me abandonasse pra que eu pudesse, por um momento, te odiar e sentir que poderia ser fácil viver sem você. Eu gostaria de sentir tudo, menos a sua falta e essa sensação que impede de eu me sentir completo. Eu queria arrancar do meu peito cada uma das  lembranças em que você está. Eu queria poder acordar e não te desejar mais o meu bom dia. Queria poder não sentir seus braços me envolvendo durante o banho. Queria não tentar descobrir seus gostos e como seus olhos me veriam caso me alcançassem pela primeira vez.

Queria poder não ter uma playlist de casamento com dezenas de músicas que eu gostaria de dançar abraçado a você. Queria não planejar uma cerimônia linda. Num fim-de-tarde. Seu terno azul-petróleo, seu sorriso. Queria tentar não saber como você sorri, e, se franze a testa enquanto escreve. Hoje eu tentei sentir tudo, menos amor. Esse amor que me consome… Porque é muito difícil viver sem você. Eu sei, algumas pessoas conseguem esperar e por alguns momentos até consigo, mas hoje não dá. Eu queria sentir raiva, queria mesmo. Queria sentir tanta raiva que poderia jogar todas nossas lembranças pela janela. Eu queria me desfazer de todas essas memórias que eu construí desde sempre, porque você não está aqui pra contradizer a lógica universal e se fazer existir para além da minha mente. Mas eu não posso te odiar mais do que te amo.

Porque eu te amo?

Eu te amo tanto que nem consigo explicar, mesmo sem você existir. Mesmo você sendo apenas um nome. E me pergunto se você sente o mesmo que eu. Se você sente a minha falta e se me procura assim como eu te espero. Se vai gostar do fato de eu estar sempre organizando as coisas. Que eu não gosto de que deixem o chão do banheiro molhado. Que vai entender quando eu tiver vontade de te morder e beliscar (com força, até) e você não vai reclamar. Fico tentando  imaginar se você vai me abraçar o máximo de vezes que puder pra compensar toda minha espera. Se eu vou poder colocar os meus pés sobre o seus e te pedir pra que você me carregue pela casa. Se  vai gostar do meu jeito de cuidar de você. Fico imagino se você vai segurar meu rosto enquanto me beija. E vai sorri enquanto diz que me ama quando  beijar novamente. Que sempre vai me amar… Porque eu odeio tudo que me afasta de ti, se não for divino…

Na verdade eu nem sei o que faço pra me manter bem sem você. Mas agora eu penso que eu queria nunca ter escrito esse texto. Queria estar ocupado vivendo todas as infinitas memórias junto de você.  Que neste momento tivéssemos juntos. Queria poder confiar que um dia, sem mais, iríamos nos encontrar e ficar juntos. Que confiaríamos um no outro e que seríamos imensamente felizes. Mas por enquanto eu vou ficar mais um dia sem você e esquecer que em algum momento eu quis odiar você, porque não há nenhum segundo da minha em que eu não te ame.

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