Recriando memórias

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Existe uma infinidade de cláusula no contrato que fazemos com a vida (do qual muitas vezes não temos noção que existe) que discorre sobre o amor e um monte de outras teorias que orbitam nossa meta existencial (permanecer são por todo o tempo de que dispomos). Esse documento, individualmente elaborado, mas de obrigação universal, nos impõe a espera daquele tipo de amor (incondicional) com o qual fomos destinados a sonhar e esperar por toda a vida (devo aqui reforçar meu apelo por um cultivo de amor próprio). São cláusulas e mais cláusulas sobre o ‘verdeiro sentido da vida’ que nos faz pensar que só há sentido permanecer aqui se magicamente encontrarmos a alma que foi destinada a nos pertencer, como se o amor romântico fosse o apogeu de nossa permanência na terra e muitos se agarram a isso. Eu também.

E foram milhares de anos imersos numa infinidade de romances e filmes que nos encheu de esperanças idealizadas por alguns poucos loucos que compraram a ideia de que amar é o ponto alto da vida.

Nesses textos, que falam sobre a importância de amar pra se sentir vivo, tudo parece ser tão incrivelmente lindo que não nos damos ao trabalho de ler todo o documento; até às linhas minúsculas nos rodapés das páginas podem nos enganar. Simplesmente absorvemos essa palavrinha minúscula colocada em letras garrafais (o amor romântico) e nos agarramos a elas acreditando que todo o resto (que foi ignorado) seja ‘compensado’ por um evento que supostamente mudará todo o rumo de nossa vida. Como se o amor dividisse nossa vida ao meio, como se não encontrar nossa alma gêmea nos conferice a maldição de não viver uma vida plena. Claro, não digo que não há beleza no amor, mas, será que todos os que dizem ter sentido, realmente amou e só são felizes por isso? O fato é que, como não existe uma verdade absoluta (menos mal, não sei), algumas pessoas se agarram a essas páginas como se sua vida dependesse ou só fizesse sentido após vivenciar o amor – eu já fui assim. E mais, o amor que ela idealizou é o único possível. E, como se não bastasse o simples fato de cair de pára-quedas num mundo desconhecido e louco, ainda temos que seguir um manual invisível que vem acoplado ao nosso cérebro como um adesivo impossível de se retirar, sem vermos o maior sentido em conhece-lo, ainda temos que conviver com esse mar de infinitas possibilidades do amor certo onde, ao invés de nos desprender das amarras criadas para nos empobrecer, nos seguramos a vans teorias sobre a forma certa de perpassar por essa breve jornada que é a vida.

Esse livro vem cheio de páginas nos ensinado formas e fórmulas sobre como viver e conviver, entao tome cuidado ao abri-lo; vá viver”, deveria ser o título.

Ele fica bem diante dos nossos olhos, mas podemos ressignifica-lo.

É muito chato, às vezes, parece que nem são nossas vontades que nos guiam, mas as regras que nos empurram goela abaixo.

Esse mero contrato de vida quase me deixou maluco quando me dei conta dele esses dias.

E aí, além de não lermos as tais cláusulas tentadoras sobre o amor, que eu chamo de “Cláusula Romeu e Julieta”, tem esse adesivo ditatório mental, sobre o qual nunca nos debruçamos, e que nos encaixa como se fôssemos meras reproduções de personagens de filmes.

Nem por curiosidade deveríamos ler esse livro sobre ‘como viver’.

Então, quando o fazemos, a vida, que foi feita inquestionavelmente sublime, se torna um caos. Literalmente um caos. E ainda tem toda essa romantizacão sobre tudo… Esse amor que nem sei se existe. Uma palavra como todas as outras que foram criadas e que de trás pra frente é só uma reciclagem de outra (pô poderiam ter sido mais originais. Como foram com ‘saudades’, pelo menos, mas porque que ser Roma às avessas? Se eu tivesse inventado teria sido mais original); ou será que o amor veio antes e o homem na sua preguiça infinita achou que Roma era a personificação do amor e inverteu a palavra pra não ser pretensioso demais por chama-la de amor; ou ainda… isso nada mais é do que uma metáfora e aquele lugarzinho é tudo, menos amor.

Talvez eu precise conhecer Roma pra saber.

(…)

O fato é que essa cláusula me perseguiu durante muito tempo. A ponto de eu, em algum momento da minha vida breve, ter criado amores imaginários para suprir o tempo de espera do amor (de novo essa palavra estranha e misteriosa) chegar e mudar minha existência comum e efêmera. Na verdade eu esperava. Ontem eu revirei minhas gavetas mentais e decidir finalmente dar uma olhada nesse contrato. Saber o que foi que eu assinei (nunca assine nada sem ler, okay?!). E não é que eu estava certo. Eu estou feito um idiota a mais de 20 anos dedicando parte da minha vida a um evento que não vai existir e que, se existir, não tem um jeito certo de acontecer. E pode não acontecer. A menos que exista uma cláusula diferente pra outras pessoas que digam (em suma) que ao invés de esperar a pessoa vai buscar seu amor próprio. Porque, se for, aí é pior ainda. Quanta bagunça, não?! São 7 bilhões de pessoas no mundo. SETE BILHÕES por um, cara.

E se todo esse amor não passar de convenções humanas, criadas para nos enlouquecer? Mas um desses dogmas ridículos que devemos seguir. Uma pessoa foi lá, leu seu adesivo, interpretou e lançou no mundo. Eu não duvido. Você duvida? Não mesmo! A gente nasce, cresce, reproduz ou não, se relaciona da melhor maneira possível com todos em volta e morre deixando lembranças. Mas calma, o amor é lindo sim. O amor em todas outras formas. Eu só não gosto da ideia romântica do amor. Eu to falando do amor romântico, okay?! Não pira, porque até consegui fazer as devidas distinções, eu pirei.

Então o que eu faço? Mato o Felipe da minha mente? Jogo as cartas e mando a vida se ferrar? Reconfiguro o que vem sendo disseminado há séculos e que eu também tomei como real? Não. Quem comprou a ideia fui eu. Agora EU que me vire com ela. O mundo nada tem a haver com isso. O mundo só é um comerciante de infinitas possibilidades. Aos 8 eu achava que tudo seria melhor quando aquele alguém que estava só na minha mente se materializar, dividindo comigo seu mundo e então sermos menos infelizes juntos (eu não sou infeliz, mas dizem que o amor torna-nos felizes). Juntos, meia felicidade minha com a parte dele e BINGO, sermos felizes. Mesmo diante das dificuldades. Não estaríamos sozinhos no mundo.

Caí do cavalo. Cá estou eu quase na casa dos 30 e me dando conta de tudo isso meio tarde.

Mas tem outra cláusula que diz que nunca é tarde demais. (…)

Então é assim: Eu pretendo cultivar outras coisas no caminho por onde eu andar e deixar que, se a vida quiser, só se ela quiser, me surpreenda; eu vou estar aqui. E não se preocupe eu não irei fechar coração, porque no fim das contas o amoroma sendo sentimento ou lugar ao avesso é bonito.

Até posso dizer que se é criação humana, então foi a melhor de todas e que o homem algum dia teve salvação e pode ter ainda.

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