TRAIÇÃO E PERDÃO

“A melhor forma de se alcançar a evolução é exercendo a atitude de maior renúncia que homem; O PERDÃO.”

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Esses dias ouvi essa declaração numa palestra muito interessante que participei. No minuto seguinte que ouvi tal verdade não consegui mais parar de pensar no exercício do perdão para a vida humana. De algum modo estamos sempre renunciando à nossa condição em detrimento a erros alheios. Durante toda a fala da moça que liderou a palestra eu me peguei pensando sobre o que é mais difícil de ser perdoado na minha humilde opinião.

E inevitavelmente, eu me conhecendo muito bem, pensei sobre TRAIÇÃO. Não, não somente aquela mais conhecida, aquela que justifica-se com a mínima que diz: ‘fui procurar fora o que não tinha em casa”, eu vou mais longe. Eu medito sobre a quebra da fidelidade prometida e empenhada por meio de ato pérfido; aleivosia, deslealdade, perfídia. Porque muito antes de cometer o ato, ele já foi vivido no campo imaginário, portanto você sempre pode escolher dizer não. Ele já foi arquitetado no inconsciente. Ele, o desejo de trair é um verme que devora a moral e sorrateiramente dissolve toda e qualquer relação.

Então, enquanto eu pensava sobre aquilo (tentando manter meus pensamentos num volume mais baixo que a voz da palestrante – eu queria ouvir mais do que ela dizia) e lembrei de uma conversa que tive com um amigo a um tempo. Naquele momento ele me fez perceber uma verdade importantíssima sobre relacionamentos e sua validade.

“Nós não somos obrigados a aceitar o outro com seus defeitos. A parte ruim que temos deve ser trabalhada, melhorada, desenvolvida. Afinal, essa é a graça de passar pela vida. Evoluir.”, ele disse mais ou menos assim. Ele não sabia mas acabava de construir em mim uma ponte de conexão com minhas raízes emocionais. Existem verdades incontestáveis neste mundo.

Porque perdoar uma traição é tão difícil pra mim? Porque eu me resolvo quando a questão é trair o outro. Porque sou adulto o suficiente para lidar com a situação e buscar o diálogo ao invés da punição. Mas será que eu também não evoluo quando perdoou? Eu não preciso mais ter aquela pessoa na minha vida. Eu a perdoou e a deixo ir. Eu liberto ela das minhas amarras de punição. A lição também deve ser dela, não somente minha. Quando somos traídos não somos vítimas passivas. Somos e devemos ser a parte consciente. Somos a razão.

Mas traição pra mim é o fim. É irrecorrível. É transformador. A traição modifica a configuração drasticamente. Ela molda a relação diante de outros parâmetros. Então não há porque continuar. Não é mais a mesma coisa. Não há relação quando se trai.

A palestra terminou e eu fiquei ainda um tempo sentado, absorto naquelas informações. Eu lembrei de algo muito importante e libertador que vivi a alguns anos. Lembrei o quanto eu já quis o perdão e não tive na única vez em que, injustificadamente eu traí alguém. Alguém especial. Levantei devagar, saí e pensei: Eu abomino a traição. Porque eu já traí e sei exatamente as consequências devastadoras que isso me causou, mas principalmente ao outro. Eu tive a escolhe, sempre tenho. E, assim como não cometi o mesmo erro desde então eu me permiti não perdoar o mesmo ato se ele acontecesse comigo. Eu ainda não sei se perdoaria, mas é inegável que o mesmo poder que a traição tem de destruir, o perdão tem de construir.

“A melhor forma de se alcançar a evolução é exercendo a atitude de maior renúncia que homem; O PERDÃO.”

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