HOMOAFETIVIDADE E ADOÇÃO

2015-01-25-gays-adocao-pais-aumenta-reino-unido

Imagem da internet

PROBLEMATIZANDO…

Até o início dos anos 90 falar sobre o casamento gay era praticamente restrito aos guetos e rodas de conversas informais entre amigos gays. Lembro-me que abordar esse tipo de assunto em casa ou durante um jantar em família era tão improvável quando estabelecer um diálogo seguro sobre identidade de gênero até mesmo com mais próximos. O tempo passou a discriminação não, no entanto é possível ver hoje um empoderamento estabelecido entre todas as camadas sócio-culturais em volta do mundo. Movimentos ativistas estão sendo levantados e cada vez com uma velocidade e força cada vez maiores, forçando a mídia, o governo e os mais conservadores a discutirem sobre temas que antes eram considerados tabus. Uma nova geração de jovens cresce mais informada e ciente da diversidade histórico-cultural, mais não menos tolerante, que através de avanço dos meios de comunicação estão mais próximos da realidade.

Entretanto existem assuntos que ainda são considerados muito delicados do que tange as temáticas homossexuais; entre elas está a adoção de crianças por casais homoafetivos. Mas discutir sobre o assunto abre um leque de outras temáticas de mesma importância e por vezes mais relevante. Não é incomum perceber os entraves que casais enfrentam para adotar bebês, filas intermináveis, intervenções legais e burocráticas que tornam o processo lento e que por vezes se arrastam por anos.

Vamos estabelecer uma linha de raciocínio lógica e importante: Uma criança não se torna gay, então não há grandes chances de um casal hetero adotá-la e que ela venha a ser homossexual, o que também acontece se um casal de gays decide entrar no processo de adoção de um bebê, portanto não é a família que a faz homossexual. Se fosse assim, por meio da genética ou educação, nenhum um filho de casal homossexual seria gay. Já parou pra pensar que você é filho de heterossexuais? E caso você seja gay essa não foi uma escolha de seus pais? .

Um gay é predominantemente filho de heterossexuais. (Ou não?) O meu pai é hetero e minha mãe igualmente.

A questão não é você ser ou não gay. Portanto o problema não é seu. Sabe o que acontece? Quando você ainda estava no ventre de sua mãe ela não cogitou que você fosse gay. Ela lhe deu um nome, de menino ou de menina, imaginando uma identidade que só estava na cabeça dela. Se você o seu ultrassom disse que você era menino sua mãe pensou em azul, se menina ela automaticamente te viu com um laço cor-de-rosa no alto da cabeça. Porque nunca se cogita que seja algo além do que eles são; heteros. Esses dias eu estava pensando que nem a nossa identidade é nossa. Ela já é imposta antes de nascermos e que por isso quando decidimos viver como somos sofremos a discriminação. Essa discriminação nada mais é do que a frustração dos outros por não atendermos as suas expectativas. Então não se culpe. Não há nada de errado contigo. Você é como é deve ser. Como tem que ser. Mas não é culpa deles também. Afinal você é diferente e eles não estão prontos para tamanha diversidade. Porque você é especial. Mas respeito é exigência, não opção. Respeito é amor e não imposição. Respeito é lei e não escolha. Mas você também tem a sua. Então continue sendo você. E quando se disserem que você é tem problemas diga que você é a diversidade. É o movimento que torna o mundo mais confuso e colorido. Você permite que se discuta sobre evolução. Você está sendo apenas você. Eles que decidam aceitar ou não.  E, caso uma criança seja adotada ela não vem com um selo de heterossexualidade ou não. Quando um casal gay decide adotar um bebê eles não estão preocupados com a identidade sexual daquela criança. Essa preocupação de identidade, se ela existir, será potencialmente vista como um problema dentro de uma família genericamente hetero. A questão é que, caso essa criança se descubra ‘não hetero’ ela não vai passar pelo processo doloroso da aceitação e imposição de sua identidade caso esta crianças tenha que morar com dois papais ou duas mamães, o que em uma família tida tradicional já gera uma dúvida. Esta mesma criança vai falar sobre qualquer assunto sobre quem ele decide amar de forma aberta e sem entraves, levando-o a estabelecer uma relação pautada na verdade e no desprendimento das amarras que sustentam intimamente uma relação entre um gay e pais conservadores que ainda não entenderam como é ser gay em uma sociedade tipicamente hetero.

Aquela criança que foi abandonada por pais heterossexuais não será coagida a ser homossexual independentemente do seio familiar em que está inserido. Ela precisa de instrução e amor, precisa de uma família. Leve em consideração que, se um casal gay decide adotar uma criança e observando a dificuldade que é imposta pelo processo, os futuros pais (nesta dança das cadeiras) estão muito conscientes da decisão que estão tomando. Isso não quer dizer que pais heteros não estejam tão cientes das responsabilidades em si, mas ainda assim para estes últimos o processo é menos lento e mais assertivo.

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