Quem Além De Você – Cap 4

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Cap. 4

25/05/2012 13hrs45min

Não foi um sorriso, foi um sinal.

– Como você pôde fazer isso comigo?

Eu estava inconsolado eu mal continha minhas lágrimas de desaprovação e pavor. Eu sentia como se todos os meus sonhos fossem tragados de uma só vez por um buraco imenso e sem fim. E realmente foram. Muitas coisas haviam acontecido nos últimos meses. Mesmo com todas as nossas diferenças havíamos superados muita coisa até ali. Eu sentia como se pudéssemos superar qualquer coisa, mas eu não me dei conta de que na verdade eu é que tinha abrindo mais concessões comigo mesmo do que jamais havia feito em toda minha vida, ele nunca precisou superar nada porque pra ele nada de errado estava acontecendo. Até que eu soubesse da verdade ele estava blindado pela mentira. Eu odeio mentiras. Eu odeio mentiras. Guarde esta informação.

Ele era a minha chance de ser feliz quando já não havia mais esperanças, quando meu coração havia decidido não recorrer a nenhuma válvula de escape, quando eu havia entregado os pontos. Eu estava pronto pra ficar sozinho. Mas não, não somos nós que governamos a nossa vida; o destino nos rouba todos os nossos propósitos como um ladrão insano e desumano (se é que posso intitulá-lo desta forma). Existem relações que por mais difíceis que sejam você simplesmente não consegue se desfazer delas. Ele lhe corroem como uma erva daninha. Eu sentia como se estivesse dentro de um buraco onde todos os meus esforços eram em vão. Mas eu o amava, ou não me amava. Mas eu o amava. Queria que fosse perfeito. Que desse certo pelo menos essa vez.

(…)

– Ele não contou toda a história. Ele não está sendo sincero contigo, disse Marcos, um amigo muito simpático que havia feito nos dias em que passei em Iguatu, ele e J se conheciam a meses.

– Eu não entendo, não sei muito bem sobre o que você está falando. O que você sabe que eu não sei? Perguntei eu meio atônico e confuso. Nem lembro em que momento nossa conversa foi direcionada ao assunto da mudança dele pra ela cidade, mas ele, Marcos, sem querer me lançou uma bomba no meu colo e ela explodiu antes mesmo de saber de sua existência.

(…)

Marcos é o tipo de pessoa pela qual você se apaixona a primeira vista. Divertido, sincero, bem intencionado. Eu o vi pela primeira vez enquanto lavávamos a louça, J e eu. Deixa eu lhe dizer como era o estilo de lugar onde J morava… Um prédio foi construído acima de uma mercearia dessas típicas de cidades pequenas. Dois lances de escadas, o hall com uma pia, que dava acesso ao único banheiro em que os 6 quartos tinham que dividir. Imagine eu, com toda minha mania incontrolável de limpeza em um lugar onde não pudesse ter um banheiro particular. Sem detalhes, por favor.

Marcos passou em disparado pelo hall e desceu as escadas tão rápido que nem pude ver seu rosto direito.

– Você acha que está tudo bem com ele? Perguntei preocupado.

– Ele deve estar bem. Acho que foi apenas uma discussão com a mãe. Vai passar logo.

– Acho que vou descer e conversar com ele, eu disse.

Tão confuso quanto eu estava J me olhou, mas concordou. Não sei se confuso ou preocupado.

Eu nem sabia muito bem o que estava fazendo, embora achasse meio invasiva a minha atitude, alguma coisa me dizia que eu tinha que ir lá e conversar com ele. Eu nem sabia o que poderia vir em seguida e se soubesse, bem, eu teria ido mesmo assim.

Como eu imaginei, ele e a Mãe haviam discutido. Ele queria ficar sozinho, porém aceitou a minha companhia. Acho que de alguma forma ele também sentiu que precisávamos estar ali. Conversamos basicamente sobre J, mas alguma coisa estava errada. Marcos me contou tudo sobre a ida de J pra lá – ele supunha que eu soubesse de tudo, estava completamente enganado -. Eu sabia, mas a minha versão da história não tinha nada haver com o que ele estava me contando.

– J e eu nos conhecemos numa sala de bate-papo – ele dizia – (isso mesmo. Aquele a quem sempre chamei de príncipe era conhecido no chat. Ele sempre estava lá.), ele precisava de ajuda para conseguir mudar, já que havia passado no vestibular e precisava de alguém que o auxiliasse aqui. Ele não conhecia a cidade, ou pelo menos era o que eu pensava. Eu consegui este quatro pra ele. Eu e minha mãe demos a maior força.

Naquele momento minha cabeça pesava cem quilos daquele momento em diante eu não era mais a mesma pessoa. Não tinha ideia do que dizer e não disse nada. Apenas ouvi. Marcos continuou dizendo que o ex namorado de J havia ajudado na mudança e que ele era bem baladeiro. Naquela época decidimos reconectar o facebook, ele já estava conhecendo outra pessoa que eu viria a descobrir quando eles já nem estavam mais juntos, nem nós.

Depois de quase duas horas eu voltei pro quarto tremendo tanto que subia três degraus por vez. Eu simplesmente estava cego e nada poderia me conter. Pra mim era o fim. Mas não foi assim…

Eu não falei que me sentia como se uma corrente me prendesse a ele de forma dolorosa e doentia? Era exatamente assim que era o nosso relacionamento; uma doença incurável e desmedida. Eu estava prestes a conhecer uma versão da minha história (que era pra ser de amor) que me destruiria, e acredite nada do que eu ouvi e vi naquele primeiro fim de semana naquela cidade, que me dá tristeza só de pensar, havia sido verdade até aquele momento. Os três primeiros meses do meu relacionamento foram uma farsa, mas pensando bem, acho que quanto mais cegos em um relacionamento nós estamos, mas longe estamos de um relacionamento.

(…)

Capítulo anterior:

Capítulo 3

PRÓXIMO CAPÍTULO EM BREVE!

Seja infinito!

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