Pra Ser Metade É Preciso Ser Inteiro

“Ser metade é pior que ser inteiro e não poder dividir.”

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Por que existe um abismo entre o amor e o desejo que projetamos sobre o amor? Não dizem que devemos construir o amor sem enganos, então por que ainda não aprendemos?

Quando nos despimos da visão fragmentada que temos do amor, aquela visão de alguém perfeito, que está sempre pronto, que não falha… Quando admitimos que amar vai além de viver e contemplar as partes boas de alguém e que o outro precisa ser quem ele é, para ser amado verdadeiramente, não só apreendemos uma versão de um amor mais real, como também amamos de maneira mais livre e completa. O amor sempre reclamou terreno livre e espaço para florescer tranquilo, entretanto nós sempre complicamos o óbvio. Amar é algo tão simples quanto respirar, então precisamos entender e aceitar isso.

O amor sempre se firma melhor quando ambos enxergam com o coração. E aprendem a lidar com as partes ruins do outro, pra saber receber o todo, sem fantasiar apenas o lado bom da moeda. Quando estamos dispostos a sermos melhor, a crescer junto, a superar junto, tudo se acerta. Aprender a ler o outro é algo que requer muito mais que boa vontade. É preciso tempo, liberdade, força e paciência. Se eu, em algum momento, tivesse compreendido o amor desta maneira, talvez houvesse amado sem tanta dificuldade, ou simplesmente teria entendido que não há dificuldade em amar e que tudo que vivi foi uma falsa ideia sobre os sentimentos que considerei ter sentido. Eu teria economizado todos os meus “Eu Te Amo”. Evitaria os efeitos colaterais do apego excessivo que confundi com amor e teria evitado tantas feridas. O amor nada tem a ver com prisão, mas com superação, aceitação. Amor é remissão, acolhimento, paz (mesmo nas dificuldades).

Amar é fazer dar certo.

Tudo que se tenta fecundar sob outros aspectos, que não lhe permita ser livre, é costume, dependência…

Quanto mais entendo sobre o amor, menos me culpo pelas dores que passei e com o tempo me sinto mais livre. Eu tenho me perdoado por ter sofrido, perdoei aqueles que me causaram dor e me sinto leve, pronto para viver o amor real. Eu tenho me sentido cada vez mais inteiro. Quanto mais entendo que não sou metade, que não estou incompleto e que o outro não é metade pra mim, me sinto mais vivo. Eu entendi que não posso carregar o peso de ser metade de ninguém. Não posso ser apenas metade pra mim e entregar a outra  pro outro, porque eu quero me amar muito também, inteiramente. Tenho que ser inteireza, completude real e não apenas fragmento. Eu quero entregar tudo que sou.

Desde que me aceitei como alguém completo  tenho dito como um mantra “Eu fiz tudo que podia”, e ainda que fraqueje e penso que fiz algo errado acabo tendo a certeza de que eu não posso me culpar por alguém não ter me enxergado como eu realmente era. E tenho dormido melhor, me alimentado melhor, vivido melhor… Eu me despi de culpas quando penso: “Eu estava lá, não estava? Eu permaneci, eu conheci o outro, eu suportei os pesos, eu estava disposto…” Mas eu me perdia no percurso e sempre me encontrava depois do fim, pra me perder novamente. Esses ciclos só cessaram quando aprendi a me enxergar. Eu não me sentia inteiro. Até me encontrar. Eu me fragmentava para receber o mundo do outro como se fosse meu. Eu abraçava o universo alheio sem questionar sobre o que estava fazendo. Ser metade estabelece uma relação de posse sobre alguém que nasceu pra ser livre.

Ser metade é pior que ser inteiro e não poder dividir.

Então não há do que se culpar. Você, assim como todos, está aprendendo, vivendo… Relacionamentos de metades que merecem um fim, deve ter um fim dentro de você também. Porque aí você entende o valor de ser único. Talvez algumas pessoas aprendam melhor na prática. E é claro que dói, dói muito… Mas tudo passa, não é mesmo? O fim é o cessar de memórias futuras. O fim só deixa o que passou, inviabilizando o futuro de memórias que podem roubar sua paz. Você encerra o ciclo e cura-se quando vai livrando-se dos pesos. O fim dos relacionamentos faz você repensar sobre a sua maneira de ver o amor e possibilita aprender a amar novamente. Primeiro a si mesmo e depois ao outro.

Eu lhe garanto que ser inteiro é incrível. É um sorriso constante   dizendo-lhe  que você está no caminho certo e não vai aceitar ninguém pela metade. Lembre-se que você é inteireza. Você precisa ser completo pra poder partilhar quem você é e receber o outro como ele é. Você precisa ser completo porque, caso tudo desmorone, você terá forças para recomeçar e não se perder em vão.

Descubra o amor e viva-o. Não fragmente sem amor, muito menos o seu coração.

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2 comentários em “Pra Ser Metade É Preciso Ser Inteiro

  1. Só preciso dizer que amei esses escritos… Se esse texto tivesse, a mim, chegado antes, creio que seria ele o motivo de hoje eu pensar dessa forma… Obrigado por ter me presenteado com tanto…

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