Não Vale A Pela Idealizar Um Amor Que Não Vem

“Muitas vezes não sabemos que, perseverar em algo que por só, já não existe, é a melhor forma de você dizer pra si o quanto a dor pode ser maior que a sua força.”

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caminho

O Universo sempre me mostrou, por a + b, que o caminho que eu havia escolhido para trilhar minha vida era demasiadamente o mais perigoso, difícil e incerto que alguém pode desejar pra si mesmo. Movido por uma infinidade de cresças e dores que eu acumulei durante a minha existência. Eu sempre tive uma voz interior que gritava para eu fizesse sempre com que tudo fosse melhor. Eu projetei toda a minha vida aos 14 e ainda lembro do menino de sonhos maiores que seus medos. Nada do que eu desejei se efetivou, mas as frustrações me fez enxergar algo concreto e aprendi com isso. Eu sempre vivi um paradoxo: Eu vivo amor de todas as formas, tenho parte de uma família que me ama do jeito que eu fui destinado a ser, sou saudável e vivi uma infância feliz e próspera, mas a ideia do príncipe encantado sempre me iludiu. Eu tinha e tenho tudo pra dar certo, mas o amor (aquele com o qual sonhei até hoje) foi a minha ruína. Eu não falo do amor que todos desejam e vivem, mas do amor ilusório, pretensioso, idealizado…

Eu passei todos os dias da minha vida, a partir dos 16 anos sonhado com o príncipe encantado. Eu responsabilizava alguém por tudo que seria realizado nos meus dias. Então criou-se uma cascata desastrosa de sonhos frustrados. A cada dia, eu ‘tinha certeza’ que estava mais próximo do meu grande encontro, mas o Universo gritava na porta das minhas certezas ilusórias, ele berrava a plenos pulmões que não era um caminho seguro. Que eu estava cavando um buraco tão imenso sob os pés que seria praticamente impossível sair, depois de um tempo. Mas a ideia romântica de ser arrebatado pelo amor, de ser consumido por um sentimento que ‘curaria’ todas as minhas dificuldades e me apresentaria um mundo que eu jamais havia habitado, mas que brilharia aos meus olhos no momento que o visse pela primeira vez. Então eu alimentei esse mostro que sugou todas as minhas reservadas de lucidez até pouco tempo atrás.

Aos poucos eu fui perdendo a minha identidade, a minha segurança, uma vez que o alimento do meu futuro se resumia ao amor romântico e nada além era interessante. Aos poucos um medo absurdo me corroía e eu nem sabia. O medo do passar do tempo. Cada ano. Cada número repetido no calendário que só mudava a folha…

Aos 18 eu tinha uma pressa inquietante. Eu me julgava merecedor em punição. Eu briguei com o mundo. Eu rasguei memórias, eu me desfiz… Eu desacreditei. Mas no fundo, bem lá no fundo, o monstro das ilusões me puxava de volta ao limbo e eu me permitia acreditar novamente e tentar novamente. Afinal havia alguém me esperando (o que não parecia tão verdade assim). Foram muitas tentativas e muitas desilusões…

Eu projetei um ser que habitava apenas a minha mente e me quebrei  todas as vezes. Mas nada me faria parar, eu pensava… Quando eu percebi estava totalmente imerso. Todas as vezes, mais uma vez, na ‘certeza’ que dizia que: Quanto maior a dificuldade melhor a recompensa! Muitas vezes não sabemos que, perseverar em algo que por só, já não existe, é a melhor forma de você dizer pra si o quanto a dor pode ser maior que a sua força.

Aos 24 eu já não aguentava mais tanta espera. Eu já me culpava… E me guardava. Eu queria encontra-lo o menos ‘quebrado’ possível. Eu queria entregar um prêmio: O meu coração. Hoje, aos 30, eu não faço ideia de quando essa minha desenfreada vontade de que alguém seria uma cura, ninguém é, se alastrou. Eu fui e sou amado por todos ao redor e me senti renovado quando percebi que esse amor poderia bastar. O amor não é uma espera, é uma realização. Quando eu percebi o quanto essa angustiante caminhada havia tomado de mim, o quanto desejar alguém feria a mim mesmo, me condicionava a ser maior do que sou, quando eu não sou quase nada, então entendi que nós podemos ser a nossa própria ruína. Então eu me desfiz de tudo isso, ainda estou me desfazendo.

Foram anos acreditando em certezas que eram irrepreensíveis e que hoje é apenas um vislumbre do que eu fui um dia. Mas dizem que o importante é a caminhada, o caminho, a jornada… Eu digo que talvez eu tenha visto um caminho mais real e logo tratei de construir uma ponte pra chegar até ele. Um caminho real, cheio de incertezas. Um caminho que precisa de muitos cuidados, mas um caminho apenas meu. Sem esperas torturantes, sem incertezas ilusórias sobre o amor. Um caminho igual ao de todos. Um caminho imperfeito e comum. O mesmo que percorro neste exato momento enquanto transcrevo os meus pensamentos pra tela do meu telefone. Um caminho que eu posso olhar pela janela do carro e sentir o quanto ele pode ser mais bonito visto com os olhos de um coração que antes de mais nada, deseja um encontro consigo mesmo da forma mais bonita.

Enquanto eu sinto o cheiro de vegetação viva e aprecio, com orgulho, as amarras desprendendo-se dos meus pés e desejando que elas nunca mais me impeçam de viver sem o mínimo de sanidade, sorrio e me deixo apreciar. Porque o amor, ele nunca, jamais, crescerá sob terrenos que não sejam fecundos de certezas. O amor nunca prospera na ilusão. Não duvide disso, eu repito a mim mesmo.

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