Quem Além De Você Cap 5

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 Cap 5.

28/03/2012 21hrs.

Por trás das palavras, da raiva de tudo.

Eu estava completamente inquieto. Desnorteado. De um jeito que nunca me senti. – Eu entreguei a minha vida a ele. Eu senti por ele algo que jamais imaginei sentir por alguém. Mas como eu chamei esse sentimento de amor? Essa anulação de mim mesmo? – Eu tentava convencer a mim mesmo diante do espelho em uma noite vazia. Essas noites são frequentes desde que eu comecei a entender o quanto eu errei em permitir que alguém invadisse meus sonhos e os destroçasse dessa forma.

(…)

Horas antes depois que Marcos subiu para o seu quarto eu ainda fiquei muito tempo onde estava. Cada palavra que havia escutado eu ainda digeria da pior forma possível. Eu não tinha ideia do quanto ainda podia suportar. Mas estava lá e não imaginava o que fazer em seguida. As minhas perguntas estavam todas respondidas, mas era como se as respostas estivessem jogadas no chão e eu não quisesse aceitá-las. Eu não podia acreditar que a mesma pessoa que me dizia me amar pudesse agir dessa forma. O que ele tem? Porque age assim? Como isso pode ser amor? Imediatamente eu pensei em toda minha vida amorosa e em como eu podia não aceitar se tudo estava ali, na minha frente. Eu não merecia tudo isso, eu pensei, tomei o fôlego, o que ainda me restava, e decidi encará-lo.

Não sei quanto tempo havia se passado, e enquanto subia três degraus por vez, era tomado por uma mistura de sentimentos que nunca havia sentido. Sentimentos que eu não poderia descrever se eu tentasse. Eu tinha que acabar com aquilo de uma vez por todas. Não podia mais amá-lo e precisava sair daquele lugar. Quando eu entrei no quarto dele senti no mesmo instante que ele sabia o que eu havia descoberto e o peso que todas as revelações me causaram, a partir daquele momento tudo entre nós iria desandar (ou pelo menos era o que eu imaginava), no entanto ele não parecia se importar com nada daquilo. Eu procurava o ar, mas não encontrava. Nossa relação nunca foi real, era só nisso que pensava. Eu repetia esse mantra para me manter acordado do transe em que estava preste a mergulhar. O fato é que ele nunca esteve ali por inteiro. Ele nunca sentiu de verdade. – Por que você mentiu para mim? – Eu não conseguia sequer olhá-lo nos olhos. Tentava conter minhas lágrimas e media minhas palavras para não desmoronar

– Eu não menti pra você. – Mantendo-se impassível a toda aquela situação ele sequer conseguia encarar a verdade. Sem tirar os olhos do telefone que tinha nas mãos, ele continuou:- Do que você está falando? Eu não estou entendo.- Eu soube de tudo, não há porque me esconder a VERDADE. Eu acabei de conhecer seu vizinho de quarto e na minha tentativa de tentar ajudá-lo, ele inocentemente me revelou tudo o que você me esconde há meses. – Minhas mãos já começavam a tremer e minha boca seca impedia que todas as palavras saíssem de uma maneira audível e convincente.

– Não há nada que você não saiba. – Como ele conseguia ser tão frio?

– Eu acreditei em você. Eu confiei no que você chama de ‘eu te amo’. Como você pôde? – As minhas palavras saiam e eu mal conseguia ver as minhas coisas espalhadas pelo quarto, apressadamente recolhi o máximo que pude e num instante minha mochila estava pronta. Eu só queria sair dali.

As minhas mãos tremiam ainda mais.

Olhei para o relógio e percebi que era bem tarde e provavelmente não conseguiria pegar o último ônibus de volta pra casa. Talvez ficasse toda a noite num banco frio da rodoviária. Mas era muito óbvio que eu não queria sair dali. Existia uma parte de mim que gritava para tudo fosse desfeito. Que eu acordasse e percebesse que tudo não passava de um sonho. Eu queria apenas que ele entendesse tudo o que eu estava sentindo. Queria que ele simplesmente sentisse o peso que tudo o que havia descoberto tinha causado em mim e na nossa relação. Uma relação que nunca existiu. Eu queria que ele segurasse meu braço e me impedisse de sair. Que ele me abraçasse e tudo mudasse. Assim como aquela canção do Leoni (50 receitas) eu me sentia um tolo por todas as coisas que eu construí.

Eu fiz tudo sozinho.

TUDO.

É estranho como os sentimentos vão se moldando e num instante o que era essencial pode se tornar tão triste… Tudo vai ia se esvaindo das minhas mãos como areia. Era todo um drama de alguém que encontra no amor a melhor saída. Tudo isso se tratava de alguém que tinha muito mais do que uma autoestima falível; se tratava de alguém que precisava urgentemente se encontrar em todo o caos.

Eram 21 horas da noite e a única coisa em que eu conseguia pensar era em como eu havia chegado ali. Como eu podia ter me anulado ao ponto de me manter cego diante do óbvio. Como não vi que eu amava sozinho e carregava sozinho esse relacionamento nas costas.

– O que você está fazendo? Para onde vai a essa hora. Ele disse isso ainda mexendo no telefone mantendo-se calmo de uma forma que me perturbava.

– Não consigo olhar na sua cara depois de tudo isso. – Respondi. – Eu preciso sair daqui.

Quando as palavras saíam da minha boca eu sentia minha garganta seca e cada letra rasgava a minha alma como nunca antes. Sempre fui do drama, mas dessa vez era real. Estava bem diante das minhas perspectivas, estava além do que podia compreender. Estava acima do meu medo de não dar certo. Eu me sentia em desvantagem comigo mesmo. Esses sentimentos que sentimos quando nos anulamos por alguém. Quando entregamos tudo.

Encontrei qualquer camisa na pilha de roupas sobre a cama e vesti. Cada fibra do meu corpo queria apenas ficar ali. Eu nunca quis ir embora.

Eu nunca quis perde-lo.

Mas acabei me perdendo mesmo assim.

(…)

Em meio às lágrimas eu saí porta a fora. Cada degrau significava o desejo de que ele pudesse me impedir (não queria ir embora. Eu tinha medo do que poderia encontrar nas ruas e além do mais eu não queria perde-lo. Mesmo sabendo que nunca o tive de verdade), mas ele não veio. Ele escolheu encarar o quarto e toda a bagunça que eu deixei. Ele preferiu deixar que o silêncio respondesse por ele e eu não podia fazer nada. Já tinha gritado demais, chorado demais e quebrado coisas demais. Mas eu nem sei pra onde eu ia. O amor nos faz inventar meios escusos de se alto sabotar. Odeio essa minha mania de encontrar frases de efeito para me convencer das coisas tão óbvias. Eu não sabia por que esperar, mas esperava que ele sentisse.

Foi um erro.

Entendo que relacionamento é escolha, tentativa. Claro que os sentimentos são essenciais para determinar a buscar pela tentativa de dar certo com alguém, mas não pode ser o centro de tudo. Ainda que ele tivesse defeitos e me machucasse, existia uma parte de mim que esperava que um dia tudo aquilo fosse superado e que talvez, só talvez, seriamos felizes, afinal ele era o meu destino. Ou era assim que eu queria vê-lo. Eu não podia deixá-lo partir. Mas quem estava partindo era eu. Até descobrir que eu não tinha forças para deixá-lo. Eu não tinha força para me livrar desse martírio permitido que foi minha vida ao lado dele.

Quando voltei a pensar em tudo isso já estava sentado nas escadas do prédio esperando que a única pessoa que pudesse desfazer todo aquele nó na minha garganta me resgatasse. Me levasse pro quarto e me fizesse feliz.

Cansado de esperar eu voltei. Sim, voltei ao quarto.

E foi pior do que eu imaginava.

Eu queria apenas estar em casa.

(…)

Capítulo 4

PRÓXIMO CAPÍTULO EM BREVE!

Seja Infinito. ❤

Quem Além de Você? Cap. 3

“Eu estava irremediavelmente apaixonado por ele. E eu tinha certeza que ele também sentia o mesmo por mim.”

 

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Cap 3.

14/02/2012 23hrs15s.

Foi quase uma senha pra te tocar.

 (…)

– Eu te amo.

– Oi?! Desculpe, não entendi, pode repetir?

– EU TE AMO!

E agora, o que digo? Como reagir a isso? Eu não posso acreditar. Estamos há tão pouco tempo juntos e ainda nem nos vimos pessoalmente, claro que desde que nos conhecemos estamos mais relaxados e passamos até falar sobre futuro, mas eu não posso entender como ele sentiu isso tão rápido. Como ele pode me amar se nem ao menos nos conhecemos? Passamos duas horas por dia conversando por vídeo e mais algumas horas por telefone, mas amor? Como assim: AMOR! O amor é um sentimento que requer profundidade e um monte de outras coisas envolvidas. Mas eu também sinto uma coisa estranha dentro de mim quando penso nele. Será que eu o amo? Ou eu já nem sei diferenciar amor de paixão? Existe diferença?

Enquanto meu cérebro processava aquela informação, não consegui lembrar se o silêncio foi por segundos ou haviam-se passados minutos, mas eu simplesmente não pude dizer nada, nem poderia quase pirei, por descrença mesmo. Não que eu não me ache capaz de ser amado, não é isso. Mas… Duas semanas? Eu não sabia se sentia o mesmo que ele ou se projetava meus sentimentos na minha vontade absurda de fazer com que desse certo. Eu apenas senti uma alegria dessas de fazer o estômago pular. Percebi que ele continuou falando quando de repente ele me disse:

– Você tá me ouvindo? Ele me tirou dos meus pensamentos como um soco na barriga.

– Ah, sim… Estou. Acho que é hora de dormir, já está bem tarde. Tudo bem? Falei meio atônico e desliguei sem esperar resposta.

Naquela noite não consegui dormir direito, passei horas virando de um lado para o outro da cama. A menos de duas semanas eu havia decidido que não me apaixonaria novamente e agora estava eu sentado na mesa da cozinha, feito um bobo, sorrindo por ter ouvido alguém me dizer ‘Eu Te Amo’. Eu não podia acreditar… E essas horas que não passa…

Só poderia ser coisa do destino, eu estava sendo testado. Tem que ser isso. No entanto sentia que queria estar com ele, mesmo quando peguei meu diário e reli um texto que escrevi dias antes onde prometia para mim mesmo que esperaria o tempo que fosse preciso pra viver um amor verdadeiro e não entraria mais naquele chat maldito. Ao final do texto ainda não conseguia acreditar no que havia acontecido e em todas as coisas que as palavras dele tinham refletido em mim. Eu me peguei pensando que não só fiz o que prometera não fazer (já havia me ferrado muito naquele bate papo idiota) como me apaixonei por alguém de lá. Isso não teria como dar certo. Até ali eu não havia considerado um dia como sendo o mais feliz dos breves dias que tivemos até ali, não até ele dizer que me amava. Eu havia encontrado o amor com o qual sempre sonhei, ou pensei sonhar. Não tinha ideia do que estava a minha espera e tinha certeza de que sentia o mesmo que achei que ele sentia, e nada do que eu pudesse viver depois poderia quebrar toda aquela conexão. Ou talvez eu estivesse completamente enganado.

(…)

Lembro-me de passava horas pensando nele e em como me sentia feliz por viver tudo aquilo. Ele me proporcionava os melhores momentos do meu dia. Mas na vida é assim: Muitas vezes não temos noção dos sentimentos até que sejamos totalmente tragados por eles de tal modo que nós percamos o controle sobre nós mesmos.

– Eu também o amo e direi a ele. Eu preciso que ele saiba que é correspondido. Disse em voz alta de frente ao espelho.

Desde aquela noite não havia um só dia em que eu não pensasse nele e em como seria nosso primeiro encontro. Os ‘Eu Te amo’ ao final de cada ligação se tornaram rotina pra ele, embora eu ainda não tivesse tido coragem de retribuir. Já havia se passado uma semana quando resolvi que era o momento de dizer que eu também estava completamente apaixonado por ele.

– Oi, anjo! Tudo bem? Liguei para te dizer uma coisa muito importante. EU TE AMO. Hoje percebo que nunca deveria ter dito palavras tão lindas. As três mais lindas quando estão reunidas, em minha opinião. Depois daí perdemos o controle de tudo. O amor perdeu lugar para a razão e nós só pensávamos no encontro que selaria tudo de bom que aqueles dias trouxeram. Mas eu não sabia que apenas eu estava inteiro naquele desejo de estar junto. Não tinha noção que depois daquele encontro planejado e tão esperado, seria o início do fim. Mas eu não sabia disso, se soubesse não teria chegado até ali. Não teria feito tudo que fiz. Não estaria contando esta história. Eu estava muito preocupado em simplesmente viver aquele amor, eu vivia para aquele amor. Esqueci de cuidar de mim, não é assim que o amor funciona? Amar não é sair do próprio mundo e pertencer a um mundo de outra pessoa? Mas era minha chance de ser feliz com alguém. Ele era exatamente como idealizei. Exatamente. Como não daria certo? Já havia dado certo. Ele e eu ficaríamos juntos pra sempre. E não haveria nada que nos separasse; só o tempo e tudo que ele nos pode conceder quando o vivemos sem atropelá-lo. Mas eu só sei mergulhar por completo, sem medo. Eu só sei ter pressa de felicidade, mesmo que ela não sendo a felicidade.

***

‘Eu Te Amo’ foi a válvula que precisava ser aberta para que pudéssemos dar vazão aos sentimentos que devem vir juntos com o amor, pois sem que nos déssemos conta passamos a nos falar mais vezes durante o dia e eu senti que aquele sentimento liberto pelas palavras abriram as compotas do nosso relacionamento. Naquele momento eu esqueci o destino, me rendi a ele e fechei meus olhos. Eu estava irremediavelmente apaixonado por ele. E eu tinha certeza que ele também sentia o mesmo por mim.

Capítulos anteriores:

Capítulo 2.

Capítulo 1.

PRÓXIMO CAPÍTULO EM BREVE!

Seja infinito!

Depois Que Você Se Foi

“03 de abril de 1998”

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03 de abril de 1998

(…)

Seria o momento épico. O mais esperado. Aquele que ela desejou quase toda noite. Eles estão de volta a Paris. Estão comemorando um ano de casamento. A viagem dos sonhos dele e é claro que ela aceitou o convite na hora quando ele jogou as passagens na mesa e correu pro banho. Ele sabia que ela odiava que ele sujasse o carpete depois de um dia inteiro cuidando do jardim. Ele a amava. Até com raiva ela conseguia ser linda. Mas nem em seus piores pesadelos ele poderia provocar sua fúria. Da ultima vez foi devastador. Fazia quase cinco anos que a vira dobrando a esquina cheia de livros e uma mochila pesada que quase a puxava pra trás de tão cheia.

– O que? (Ela já estava ao lado Box quando fez a pergunta). Voltou pro quarto, jogou o envelope na cama e voou pro banheiro. De roupa e tudo ela se jogou nos braços dele e ali mesmo se amaram de um jeito especial.

Mas tarde, durante o jantar ele ainda exibia um sorriso farto:

– Você acha que vai estar muito frio. Quero ver a neve.

Eu nem acredito que você fez isso por nós. Eu te amo! Disse ela cheia de si. Já imaginando como diria a Marta, sua mãe. Parecia o dia mais feliz de sua vida. Mas não era. O encontro deles foi o melhor. Ela lembra como se fosse hoje. Ele usava uns óculos que lhes caiam muito bem. Ela nem percebeu que a alça da mochila pesada ficou presa em alguma coisa atrás dela e num segundo tudo estava no chão. Ela sempre foi estabanada. Ele já estava do lado dela e depois dali nunca mais ficariam sem o outro. Até…

(…)

Eu te amo. Você nunca estará sozinha. Mas você precisa viver.

E antes que ele a tomasse em seus braços ela acordou. Felipa estava em casa e nenhum sinal de Pedro, além das roupas espalhas na cama e sua fotografia na mesa ao lado.

Não. Definitivamente ela precisava de muito mais pra sair da cama hoje. Não havia cheiro de café e nenhum sinal de Pedro. Ela ainda não consegue viver sem ele.

(…)

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